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Atividade académica

Alunos do IDN de Timor Leste assistiram a palestras no ISCIA sobre a temática do mar


Publicado a: 30 Janeiro 2014
IDN

No âmbito da visita que realizaram ao ISCIA no dia 22 de janeiro, os alunos do Instituto de Defesa Nacional de Timor Leste – IDN-TL, assistiram a um conjunto de palestras sobre a temática do mar, moderadas por Victor Cajarabille, Coordenador do Departamento de Tecnologias do Mar – DETMAR e Docente do ISCIA.

No primeiro painel, Freire Nogueira, Docente e Coordenador do Mestrado em Segurança, Defesa e Resolução de Conflitos do ISCIA, abordou a importância da Geopolítica como método de análise no Mundo Contemporâneo em contraponto à visão ideológica e preconcetual focando a Geografia física e as suas limitações analíticas. A relevância da História, da Língua, da Religião, das Tribos e Etnias e do "temperamento" dos povos, e uma breve abordagem da análise holística como identificadora de potencialidades, vulnerabilidades e tendências futuras dos Estados e das Sociedades, foram outros dos temas apresentados por aquele Docente.

Ainda no primeiro painel, Jorge Tavares da Silva, Docente e Coordenador do Departamento de Gestão e Relações Internacionais do ISCIADEGRI, partindo de uma análise à natureza continental da civilização chinesa, salientou a contrastante e relativamente nova projeção da China como potência naval. Jorge Tavares da Silva falou da modernização militar chinesa nesse domínio, uma região tradicionalmente assente em confrontações de poder, que está a criar apreensões nos atores na região, obrigando, também, a um novo reposicionamento dos Estados Unidos.

No segundo painel, intervieram Eduardo Martins, Docente do ISCIA; Gouveia e Melo, Presidente do Observatório de Segurança Marítima – OSM e Investigador do Departamento de Tecnologias do Mar do ISCIADETMAR; Victor Brito, Docente do ISCIA e Coordenador do Departamento de Segurança e Riscos – DESRI. O primeiro palestrante fez uma reflexão sobre a atividade do Transporte Marítimo e dos Portos a nível internacional, procurando destacar as principais características do transporte moderno, bem como as alterações mais relevantes e consequências para os portos e para a gestão portuária. Eduardo Martins abordou, ainda, alguns aspetos sobre a situação dos portos de Timor-Leste e as perspetivas para o seu desenvolvimento, tendo concluído pela oportunidade de refletir sobre alguns tópicos relacionados com aquele desenvolvimento, em particular as funções e organização da Autoridade Portuária, o quadro jurídico a estabelecer para os portos, o financiamento dos portos e o estabelecimento de parcerias público-privadas, o processo de concessões e a necessidade de regulação sobre a atividade portuária.

Gouveia e Melo falou sobre a segurança marítima, afirmando que os Oceanos são a próxima fronteira da humanidade, muito antes do espaço, e referiu que, para que surja uma verdadeira economia do mar, esta terá de assentar em três vetores essenciais: a tecnologia, que permitirá ultrapassar a fronteira do irrealizável; a organização dos espaços, por via do Direito Internacional que consentirá a utilização pacífica e regulada destes, e a Segurança Marítima, que estabelecerá um ambiente previsível e aceitável para a atividade humana.

“Sem segurança, essa fronteira tornar-se-á intransponível”, frisou Gouveia e Melo, acrescentando que, em resultado desta observação - a necessidade de ter agentes de transformação bem preparados e a importância da Segurança Marítima - o ISCIA criou um Departamento das Tecnologias do Mar (DETMAR) e, dentro deste, um Observatório de Segurança Marítima (OSM). 

Relativamente a Timor-Leste, Gouveia e Melo referiu que, apesar de ser um país relativamente pequeno tem uma Zona Económica Exclusiva (ZEE), rica e elevada, estando o desenvolvimento de uma economia do mar ao seu alcance e que, caso sejam adequadamente considerados os vetores anteriormente referido, Timor-Leste poderá transformar-se numa economia forte, desenvolvida e autossuficiente. 

Por último, Victor Brito apresentou o conceito de Cluster na vertente económica e a evolução dos clusters marítimos, cujo percursor foi a Holanda, em 1997. Victor Brito referiu que as experiências da generalidade dos clusters dos países marítimos europeus têm sido promissoras e estimulantes e que, em Portugal, os dois clusters existentes, um nacional e outro regional, estão em fase inicial de implementação, igualmente com boas expetativas. O ISCIA integra as duas iniciativas, totalmente identificadas com a estratégia nacional de desenvolvimento da economia do Mar.

 

Aquele Docente abordou, ainda, o programa estratégico de desenvolvimento de Timor Leste, com um horizonte até 2030, que prevê a construção de dois portos nacionais principais, onde a implantação de clusters poderá dinamizar e acelerar o respetivo  desenvolvimento económico.


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