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Departamento de Segurança e Riscos

ISCIA recebe o 2º Encontro de Riscos Ocupacionais


Publicado a: 24 Outubro 2014

Data do evento: 23 Outubro 2014

O Instituto Superior de Ciências da Informação e da Administração (ISCIA) foi lugar para o 2º Encontro de Riscos Ocupacionais, que se realizou ontem, quinta-feira, 23 de outubro. O encontro, parte integrante de matérias de ensino e aprendizagem lecionadas neste Instituto, decorreu durante todo o dia, onde estiveram presentes técnicos profissionais das mais variadas vertentes dos Riscos Ocupacionais.

A sessão de abertura contou com a participação do Inspetor-Geral da Autoridade para as Condições de Trabalho, Engº Pedro Pimenta Braz, seguido de Prof. Doutor Duarte Nuno Vieira, Catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, que veio fazer um enquadramento dos Acidentes de Trabalho na Medicina Legal. Ao longo da manhã, o Prof. Doutor João Santos Baptista, da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), apresentou uma comunicação sobre os Novos Desafios para a Segurança e Saúde Ocupacionais; o Engº Paulo Martins, Consultor de Segurança, falou sobre a Avaliação e Controlo de Riscos no Transporte Rodoviário de Gasóleo em Veículo-cisterna numa Empresa Transportadora de Combustíveis; o Dr. João Lima, da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação, da Universidade do Porto, trouxe uma comunicação intitulada Alimentação no Local de Trabalho: Uma Nova Prioridade para a Saúde e Segurança Ocupacional; e, ainda durante a manhã, a Dra. Maria Isabel Pedro, antiga aluna do ISCIA, veio falar-nos da importância da Higienização das Mãos, Medidas Simples Salvam Vidas.

Da parte da tarde, mais quatro oradores tiveram voz neste encontro. O Prof. Doutor Nuno Lopes, do Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro, trouxe uma comunicação respeitante à Resistência ao Fogo de Elementos da Construção; o Prof. Doutor Nélson Costa, da Escola de Engenharia da Universidade do Minho, pronunciou-se sobre a Exposição Ocupacional a Vibrações do Corpo Inteiro; Prof. Doutor Rui Melo, da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa, expôs as Metodologias de Avaliação do Risco Ocupacional; e, por último, o Mestre António Oliveira, docente doutorando do ISCIA, transmitiu uma comunicação sobre o Ruído Ocupacional e Perdas Auditivas.

O Engº Victor Gonçalves de Brito encerrou este encontro agradecendo a todos os presentes, dando ênfase às “brilhantes intervenções feitas por pessoas classificadas como profissionais na crista da onda”.

Esta foi uma organização conjunta do Prof. Doutor Alberto Sérgio Miguel e do Engenheiro (Almirante) Victor Gonçalves de Brito, com o apoio da Mestre Ângela Seixas e do Dr. António Oliveira, todos do corpo docente do ISCIA.


 

Duarte Nuno Vieira
Professor catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra; Presidente do Conselho Europeu de Medicina Legal; Vice-Presidente da Confederação Europeia de Especialistas em Avaliação e  Reparação do Dano Corporal

Enquadramento dos acidentes de trabalho na Medicina Legal

Procurou mostrar a importância da Medicina Legal no estabelecimento de um determinado acontecimento e as lesões e sequelas apresentadas na avaliação dos danos corporais em que o sinistrado ficou afetado, sendo também necessária, a Medicina Legal, para determinar as causas e circunstâncias, sempre que a ocorrência tenha consequências mortais. Duarte Vieira explicou também que as tabelas que determinam as taxas de incapacidade em medicina não são mais do que consensos entre profissionais, salvaguardando que cada individuo é diferente e que, nenhuma parte do corpo humano pode ser avaliada como mais ou menos importante.


João Santos Baptista
Laboratório de Prevenção de Riscos Ocupacionais e Ambientais (PROA/LABIOMEP)
Professor associado da Faculdade de Engenharia, Universidade do Porto

Novos desafios para a segurança e saúde ocupacionais

O principal objetivo da sua comunicação consistiu em questionar os lugares comuns para os chamados riscos emergentes, apresentando caminhos que levem às respostas para a sua solução. Assim, mostrou resultados de vários testes realizados pelo próprio, comparando a condição física de cada pessoa, tendo em conta a variação dos seus parâmetros fisiológicos na realização de trabalho pesado a altas temperaturas.
Concluiu que existe uma carência na investigação desta área, causada pela existência de verdades absolutas assumidas, o que faz com que não se deem evoluções nesta pesquisa, evoluções que defende poderem encontrar outras causas para este problema e, consequentemente, as suas soluções.


Paulo Martins
Engenheiro de Segurança do Trabalho, Conselheiro de segurança, formador e consultor para o transporte de mercadorias perigosas por via rodoviária, marítima e aérea

Avaliação e controlo de riscos no transporte rodoviário de gasóleo em veículo-cisterna numa empresa transportadora de combustíveis

No que concerne à formação e sensibilização das pessoas, o transporte de mercadorias perigosas, tecnologia e equipamento dos veículos, é um dos mais regulamentados.
O orador fez a apresentação e mostrou as características de alguns produtos tóxicos; das técnicas que alguns países apresentam para melhorarem e facilitarem o transporte de veículos de cargas; e fez ainda propostas de medidas de correção e prevenção de alguns erros, tais como a identificação prévia de caminhos para cargas e descargas, exames médicos aos condutores, etc.
Este trabalho proporcionou a aquisição de conhecimentos concretos no que concerne aos riscos no transporte, principalmente de gasóleo, mostrando, também, de que forma a segurança ocupacional e rodoviária poderão ser postas em risco, podendo ser prevenidas com técnicas de segurança.


João Lima
Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação, Universidade do Porto

Alimentação no local de trabalho: uma nova prioridade para a segurança e saúde ocupacional

O orador focou a sua comunicação no estilo de vida e hábitos alimentares que, não seguindo os parâmetros adequados, podem levar à prevalência de doenças crónicas não transmissíveis, mas que têm vindo a atingir proporções alarmantes nos últimos anos.
Foi referida a promoção da saúde no local de trabalho e as iniciativas no sentido de melhorar a qualidade do mesmo.
Além disso, o orador explicou o panorama desta matéria (saúde ocupacional) na Europa e no Brasil. Afirma que em Portugal este problema é recorrente e que existe necessidade de serem feitas formações e outro tipo de iniciativas, como a criação de programas e diretivas que mostrem a existência de estratégias práticas para a resolução deste problema.


Maria Isabel Pedro
Antiga aluna do ISCIA

Medidas simples salvam vidas: A higienização das mãos

A oradora, na sua comunicação, defende que a higienização das mãos é um dos hábitos mais saudáveis que uma pessoa deve ter. Um gesto importante na prevenção da infeção, já que as mãos são o principal veículo de transporte de micróbios causadores de doenças. Alerta para o facto de, no inverno, este ser um hábito um pouco esquecido, sendo que é precisamente nesta altura do ano que a maioria das doenças se propagam, nomeadamente as gripes.


Nuno Lopes
​Departamento de Engenharia Civil, Universidade de Aveiro

Resistência ao fogo de elementos da construção

O Laboratório de Resistência ao Fogo da Universidade de Aveiro, sendo quase a 100% financiado pela indústria, é o único no país. Depois de contextualizada a resistência ao fogo dentro da normalização em vigor, foram apresentados os principais procedimentos e critérios a considerar nos ensaios, tais como os requisitos gerais, as paredes não portantes, portas, portas de acesso a elevadores, entre outros, sendo todos eles exemplos solicitadores da indústria nacional.


Nélson Costa
Engenharia Industrial e de Sistemas, Professor Auxiliar do Departamento de Produção e Sistemas da Escola de Engenharia da Universidade do Minho

Exposição ocupacional a vibrações do corpo inteiro

 Na sua comunicação, Nélson Costa caracterizou a exposição ocupacional a vibrações de corpo inteiro, dando especial ênfase aos seus efeitos. Fez a apresentação de equipamentos para os vários tipos de testes feitos nesta área e que são depois sujeitos a critérios de avaliação. Foi, por fim, apresentado um estudo sobre o impacto da exposição e vibração de corpo inteiro na performance cognitiva e motora dos sujeitos expostos.


Rui Melo
Professor Auxiliar da Secção Autónoma de Ergonomia, Faculdade de Motricidade Humana, Universidade de Lisboa

Metodologias de avaliação do Risco Ocupacional

O orador, entre outras coisas, deu-nos a conhecer de que forma é feita a avaliação de riscos, a identificação das pessoas expostas, a estimativa do risco, a valorização do risco e sua conclusão. Defende que isto ainda não está totalmente definido no nosso país nem a ser respeitado e que existem novos estudos que têm vindo a contrariar os resultados até hoje apresentados na literatura.
Conclui a sua apresentação dizendo que os técnicos não devem ser levianos na escolha dos métodos para avaliação de riscos, devendo ser criteriosos, já que nem todos os métodos produzem o mesmo resultado no mesmo tipo de riscos. No processo de codificação de riscos, defende que o observador e o método devem ser o menos subjetivos possível.


António Oliveira
Instituto Superior de Ciências da Informação e da Administração

Ruído ocupacional e perdas auditivas

O orador defendeu que o ruído é um dos riscos ocupacionais mais avaliado e o principal fator externo para a perda auditiva. Nos setores da construção e da indústria, o ruído provoca bastantes problemas de saúde aos seus trabalhadores, estando entre elas a degenerescência crónica, o trauma auditivo agudo devido a impulsos fortes perto do ouvido, entre outras, salvaguardando que todos os indivíduos são diferentes e que, por isso mesmo, as suas reações ao mesmo ruído também irão variar.
Antes de quaisquer outras, defende que, para serem evitadas as Perdas Auditivas Induzidas pelo Ruído (PAIR), devem ser tomadas medidas de prevenção coletivas e só em último caso, as individuais.


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