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Ângela Seixas

A Proteção Civil nas sociedades atuais e a pertinência de uma adequada formação neste domínio


Publicado a: 21 Abril 2015

O nível crescente de desenvolvimento que caracteriza, de uma forma geral, as sociedades, é acompanhado também por uma crescente exigência de segurança por parte das pessoas.

Esta ideia acompanha uma importante mudança de paradigma nas sociedades contemporâneas, resultante da substituição de uma visão semi-fatalista e reativa, que vê a catástrofe como uma inevitabilidade a que só podemos reagir, por uma perspetiva assente na segurança, colocando importantes e crescentes desafios à Proteção Civil.

A Proteção Civil assume-se, assim, cada vez mais como um pilar fundamental das sociedades – não temos desenvolvimento se não garantirmos a segurança e a protecção das pessoas, dos bens e do meio ambiente. Observa-se, portanto, que o papel da Proteção Civil passa cada vez mais, não só pelo desempenho em contexto de emergência, mas por aquilo que está a montante dessa emergência, ou seja, pelo conhecimento e gestão dos riscos presentes no território.

Kofi A. Annan em 2004, enquanto Secretário-Geral da ONU, referiu que enquanto muitas pessoas têm conhecimento do terrível impacto dos desastre que ocorrem um pouco por todo o mundo, poucas têm consciência de que é possível efetivamente fazer alguma coisa em relação a este problema. E essa “alguma coisa” pode e deve ser feita antes da ocorrência.

E, para isso, é fundamental conhecer, ter formação, “saber” para saber fazer melhor e com mais segurança para os próprios Agentes de Proteção Civil e para as populações.

Se olharmos para o ciclo de gestão de desastres/emergências, por exemplo para o apresentado por Patrick Safran no 2.º encontro Asiático da UNISDR, observamos que metade do ciclo se refere à prevenção e inclui as ações de mitigação, preparação e desenvolvimento de mecanismos de aviso e de alerta à população. É fundamental que os Agentes de Proteção Civil tenham formação que lhes permita ter os conhecimentos necessários para trabalhar esta “parte” do ciclo, de modo a terem uma atuação mais segura e eficaz na 2.ª “parte”, que se refere à resposta e às ações de recuperação pós-evento.

É possível de facto conhecer os perigos, identificar e quantificar o risco a eles associado, monitorizar os processos responsáveis por esse risco, criar medidas de mitigação do risco trabalhando, entre muitos outros, na vertente da vulnerabilidade humana aos diferentes tipos de risco, sendo que são as populações mais pobres as mais vulneráveis e, portanto, as mais afetadas pelos desastres.

É aqui que o ISCIA dá um contributo cada vez mais relevante e reconhecido pelas entidades com responsabilidades na área, nomeadamente pela Escola Nacional de Bombeiros (ENB).

De facto, o ISCIA comemora este ano 26 anos de existência e tem dedicado os últimos 8 à promoção do conhecimento e discussão em torno das matérias que à Proteção Civil dizem respeito, numa perspetiva que cremos inovadora e em permanente atualização.

No último ano esta área consolidou-se no ISCIA com a implementação de projetos como a criação do Centro de Estudos em Proteção Civil, a abertura da Pós-graduação em Gestores de Emergência e Socorro (em parceria com a Escola Nacional de Bombeiros e com o ISEC), da Pós-graduação em Proteção Civil, da implementação de um ciclo de conferências que promove espaços de conhecimento e de debate de questões relacionadas com a Proteção Civil e com o lançamento de diversos cursos na área, nomeadamente do curso de Segurança Contra Incêndio em Edifícios para elementos de Corpos de Bombeiros (acreditado pela ANPC).

Trabalhamos de perto com estes profissionais, de modo a mantermos a nossa oferta atualizada e adaptada às necessidades que, em conjunto, identificamos.


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