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De comercial a diretor da FUNFRAP

Idálio Fernandes


Publicado a: 12 Julho 2013

Idálio Fernandes nasceu e cresceu em Ourentã, uma freguesia do concelho de Cantanhede. Findo o liceu foi trabalhar, começando como ajudante de serralheiro. Em diferentes funções, passou pela SEPSA e pela Renault Cacia, até ingressar na Funfrap, na altura uma fundição do grupo Renault, em Março de 1985. Nesta empresa foi ascendendo, do serviço de Logística ao Controlo de Gestão, passando por funções na atividade comercial da empresa.
Entrou no ISCIA em 2006, já com 46 anos, para obter a licenciatura em Gestão Internacional, que concluiu com mérito. Em 2008, foi nomeado membro da direção da empresa, com a responsabilidade Comercial, Logística e Compras. Em finais de 2009, passou a acumular com a gestão da Fabricação e, em Agosto de 2010, foi nomeado Diretor Geral da Funfrap, cargo que exerce atualmente.

O que o fez decidir ingressar no ensino superior e concretamente, no ISCIA?
Em primeiro lugar, por razões de ordem pessoal, porque achava que tinha capacidade para estudar e terminar uma licenciatura, desde que conseguisse encontrar forma de conciliar o estudo com o trabalho. Queria um currículo/curso que se enquadrasse com a minha carreira profissional, de modo a existir um benefício direto e imediato. Depois, por razões de ordem profissional, tinha a noção clara de que o valor que a atual empresa me atribuía, não era necessariamente o meu “valor de mercado” e se um dia tivesse que sair da empresa, por vontade própria ou não, não tinha background académico para mostrar, o que me traria dificuldades no mercado de trabalho.

Porquê o ISCIA?
Porque depois de alguns anos de hesitações e de análises à oferta de ensino superior existente em Aveiro, a conclusão foi que para conciliar o trabalho com o estudo e encontrar um curso que se enquadrasse naquilo que eu sabia melhor fazer, o ISCIA e o curso de Gestão Internacional era a melhor opção dentro do leque que Aveiro podia oferecer.

Como foi a experiência?
Em termos genéricos, a minha experiência foi muito rica nos conhecimentos que travei, pelas muitas pessoas que conheci e pelos ambientes que vivi. Em matéria de relacionamento com colegas, foi muito interessante porque convivi com pessoas da minha geração, mas também com muitos que tinham a idade do meu filho… E alguns, e não foram poucos, ficaram amigos para o resto da vida. Quanto aos professores, alguns deles marcaram-me pela positiva para sempre, pelas qualidades pessoais (alguns de grande humildade), pelo seu percurso académico (irrepreensível), pela capacidade de ensinar (ensinando muito mais que aquilo que os currículos compreendiam), pelas experiências de vida (nalguns casos com décadas de experiência em cargos e funções de alta importância e desempenho). E posso confessar que mantenho ligação com alguns deles, com maior ou menor intensidade, o que é para mim um fator de enorme satisfação.

O curso correspondeu às suas expectativas? Porquê?
Superou aquilo que eu esperava, voltaria a tomar a mesma opção. Em primeiro lugar, porque sendo eu, na época, responsável Comercial e Logística de uma empresa, o currículo do curso estava muito alinhado com as matérias que eu tratava no dia-a-dia. Depois, porque, como atrás referi, a qualidade de muitos professores proporcionou uma aprendizagem de grande intensidade e qualidade, que superou as minhas expectativas.

Concluído o curso, o que mudou na sua vida, nomeadamente a nível profissional?
Contrariamente ao que eu julgava, que a graduação académica poderia ser útil sobretudo no caso de saída da empresa, o certo é que em Setembro de 2009, precisamente alguns meses após terminar a parte letiva, fui convidado para assumir a Direção Geral da empresa e em Agosto de 2010 assumi a responsabilidade pela condução da Funfrap, que é uma empresa multinacional no sector automóvel, integrada no grupo TEKSID SpA, que por sua vez é controlada pela FIAT, com cerca de 400 empregados diretos e 50 milhões de euros de faturação. A minha vida mudou após terminar os estudos no ISCIA, quer ao nível profissional, com a assunção de um cargo de Direção Geral (até aí inacessível), quer ao nível pessoal, com mais responsabilidades (e mais regalias) mas também com menor tempo para a família e para os amigos!

Em tempo de crise, e com a elevada taxa de desemprego a afetar sobretudo licenciados, considera que vale a pena, ainda assim, investir na formação académica? Porquê?
É claro que sim, que vale a pena investir na formação académica, sobretudo se for de qualidade e se traduzir pela oferta ao mercado de jovens bem preparados e com capacidades que o mercado precisa. Honestamente acho que o país perde quando a aposta é apenas feita pela quantidade (infelizmente, hoje será ainda a realidade), pelo facto muitos pais (legitimamente) quererem os filhos com formação académica superior, ou por ser mais fácil a entrada e a conclusão de alguns cursos em áreas não tecnológicas. O país necessita de jovens bem preparados, com vontade de vencerem num mercado de trabalho exigente e difícil, formados em boas escolas, com boa classificação e em áreas de estudo que permitam a investigação, a engenharia, a inovação, a gestão moderna e avançada, isto é, áreas de matriz marcadamente técnica, que possam no curto prazo contribuir para o desenvolvimento tecnológico e para a eficiência produtiva das empresas, que permita um desenvolvimento sustentado ao tecido económico existente e, por outro lado, à criação de pequenas e médias empresas de cariz marcadamente inovador, que renove a oferta existente com padrões elevados de excelência e tecnologia. Em conclusão, aconselho e defendo que vale a pena a formação académica superior, preferencialmente, em áreas de vertente tecnológica e, sobretudo, se forem alunos dedicados e brilhantes. Para grande maioria destes, o mercado de trabalho irá absorvê-los, mais cedo ou mais tarde, e o país ficará agradecido…


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